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quarta-feira, 24 de maio de 2017

Ressurgindo do sangue, uma fênix vermelha.

quarta-feira, maio 24, 2017




Tão vermelha quanto a cor do rosto de alguém em desconforto. Suspirou, clareou. A desenvoltura do seu corpo animal, saía em silhueta do sangue. Um sangue derramado por uma guerra, que por sua vez, não foi tão suave como um dia se esperou dela. Sangue tão vermelho quanto as pétalas de rosas jogadas como tempero no sangue. E o cenário nos faz questionar, onde estão os espinhos. Provavelmente tragados na garganta de alguém em desconforto. 
Alguém que supostamente não tem possibilidade de respirar, e grita internamente de dor, questionando toda a tensão desnecessária daquele caos. Mas suspirou novamente, e clareou. Apareceu aquela silhueta visceral que nos torna tão insípidos, cretinos. A silhueta tão mitológica quanto os devaneios travestidos de mudanças, que um dia nos encontra para entregar seus camafeus dourados, para carregarmos por anos e anos, com um certo peso consciente. O peso da última colheita.
Aquele sangue tão nítido, ácido e pulsante. Vivo, sempre vivo. Aquela silhueta que se revela da mesma cor do sangue. E incendeia. Chamas tão quentes quanto o corpo febril de alguém em desconforto. Uma febre que só tem cura, com a estabilidade de cada centímetro quadrado. Onde encontrar estabilidade em uma guerra? Solitária, a chama de dentro do sangue renasce. 
E vive, respira. Mas não se sabe se está pronta pra mais uma guerra, está tão trêmula quanto alguém em desconforto. Está tão triste quanto a desenvoltura de uma vida que precisa mergulhar no mais íntimo, e retornar ao útero maternal. Para sobreviver com as cláusulas de um contrato não auspicioso. 
Que sacudam as moedas de ouro! Ela respira! Vive! O soar de chocalhos e metais sendo agitados permanece. Nós, meros cretinos, não podemos fazer nada. Apenas chorar com o debater de asas de fogo, que sabem como voar, mas não consegue, pois estavam mergulhadas em sangue de alguém em colapso, arrebatado para a dor. De que adianta renascer e não se encontrar? 
O soar de flautas e toque de cordas indica um novo caminho, o caminho da cura. O caminho clareado pelo suspiro, e assim, pequenas criaturas carregam o corpo para o processo mitológico da recuperação. 
O tempo que esse processo vai durar, é proporcional à quantidade de espinhos concentrados na garganta dos que gritam. E proporcional a todos os tecidos que cobrem as feridas, ainda assim, incendiados. Tornará lembrança tudo o que aconteceu, e que sejam ouvidos todos os cânticos de renascimento. O tilintar dos metais anuncia: a fênix vermelha ressurgiu do seu ninho de sangue. 

sexta-feira, 17 de março de 2017

Vamos ouvir Milky Chance? Vamos sim.

sexta-feira, março 17, 2017


Olar. 

Vim fazer uma ação de utilidade pública que é apresentar Milky Chance à internet brasileira. Assim como Blackbear, arrebatou meu coração, e isso aconteceu há 4 anos atrás, com o lançamento do álbum Sadnecessary, com a música Stolen Dance. 

Tá, e quenhé Milky Chance? 

Milky Chance é uma banda alemã, eu pensava que era um cara só, sorry. Seus componentes são Clemens Rehbein e Philipp Dausch.
Embora não cantem em alemão, seu estilo lembra muito o lado soviético de Berlim, com aquela galera alternativa, artista, e do bom som de folk. Embora Berlim seja a cara dessa banda, eles são naturais de Kassel, uma cidade que representa bem quando o assunto é arte. 

As vezes, parece John Mayer com Bon Jovi
Outras vezes, parece Vance Joy. 

Seu álbum de estreia, Sadnecessary, emplacou singles como 

"Stolen Dance"



"Down By The River"



"Flashed Junk Mind"



"Running"



Ouça o álbum "Sadnecessary" completo:





E depois de uma espera de 4 anos, Milky Chance lança seu segundo álbum <3 Intitulado "Blossom", já traz na bagagem dois singles com Music Video, as faixas "Doing Good" e "Cocoon", e mais dois áudios oficiais em seu canal no youtube, que pelo visto, serão os próximos singles: "Blossom" e "Ego". 

"Cocoon"



"Doing Good"



"Blossom"



"Ego" 




Ontem, fragmentado de uma live session, foi publicada uma das músicas do álbum que para mim é a favorita. E na versão favorita, em live session mesmo. Porque no álbum Deluxe, temos a versão original e acústica. A live session me conquistou! E a acústica também é maravilhosa. Com vocês, a música "Peripeteia"

"Peripeteia"




Obra prima, considero eu, principalmente com essa gaita :3 
E considero um dos lançamentos mais esperados do ano, e pelo visto não me decepcionou, muito pelo contrário. Milky Chance é recomendado para toda a galera Alternative, Folk and Blues, e todo mundo que guarda uma admiração por acústica, Texas e um ótimo som.

Ouça o álbum completo aqui: 




Agora, vamos só aguardar os Music Videos de "Ego" e "Blossom". Acharia digníssimo se estivessem no Lollapalooza! 


Até o próximo post!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

ENEM: O filtro oficial da elitização da educação pública

sexta-feira, janeiro 20, 2017


Raios. Relâmpagos. Trovões.
Gritos e ranger de dentes.
Babado, gritaria e confusão.

Três enunciados que definem exatamente o dia 18 de janeiro de 2017, dia do resultado do ENEM, que mais uma vez segue a tradição anual: milhares de notas zero, milhares de estudantes de baixa renda com nota insuficiente para entrar na tão famigerada universidade pública, gente chorando, comendo as próprias unhas porque um dos maiores medos é vestir o uniforme de praças de alimentação ou morrer de fome. Ah e não menos importante dos ritos: estudantes que passaram a vida toda em escolas privadas, classe média alta, garantindo suas vagas nas universidades públicas.

Eu, enquanto estudante do ensino público, eu não tenho outra opção que não seja concluir que o Exame Nacional do Ensino Médio, o ENEM, seja um gigantesco filtro parte de um processo chamado elitização do ensino público de qualidade.

Uma das grandes e maiores lendas urbanas desse país, é "Universidade Pública para todos". Não é para todos, é para quem teve condições - que deveriam ser direitos -é para quem teve o luxo de estudar. Já falei mais sobre isso nesse texto aqui.

Falando assim, parece texto dos anos 70, mas isso é BEM atual. Com uma taxa altíssima de analfabetos, um índice gigantesco de evasão no ensino fundamental e médio, não é de se esperar menos, estudantes do ensino público reprovados num exame que teoricamente foi feito para eles. Porque o ENEM  com cotas raciais e cotas de baixa renda, foi a carta capital para o ingresso dos menos favorecidos na universidade. Uma pena, que isso não foi suficiente.

Para completar, nosso atual ministro da fazenda, Henrique Meirelles, diz, que as reformas em tramitação e as reformas já aprovadas são necessárias para colocar o Brasil nos trilhos novamente. E claro, que teria uma réplica. Mas não foi uma simples réplica, e sim, de uma diretora do FMI, Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde que arrematou: "Não sei por que as pessoas não escutaram (que a desigualdade é nociva), mas, certamente, os economistas se revoltaram e disseram que não era problema deles. Inclusive na minha própria instituição, que agora se converteu para aceitar a importância da desigualdade social e a necessidade de estudá-la e promover políticas em resposta a ela" - (leia mais sobre aqui)

Não é lindo, como as coisas fluem nessa novela brasiliense? Uma queima de arquivo na nossa cara, resultados das instituições federais indo pro espaço em 2016 - artimanha para aprovar a medonha Reforma do Ensino Médio - e uma República decaindo cada vez mais sempre que vaza um ou mais áudios na mídia brasileira.

Esse novo período político tem cada vez mais dado as costas para a educação e promovendo um marketing glorioso para seus recursos de batalha, como o ENEM, usado como instrumento de filtragem para formar cidadãos graduados. Como se já não bastasse turmas de 45 pessoas, formarem 4 alunos.

Arrematando como sempre, digo que educação deveria ser um direito universal, mas isso nos parece cada vez mais distante nesse caos ensurdecedor que ecoa nos subúrbios e nos corredores das escolas públicas brasileiras.

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