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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Sobre a vida urbana e seu aroma de adrenalina poluída

sexta-feira, janeiro 13, 2017


Confesso que ao longo da minha vida acadêmica eu tenha tido uma certa aptidão com o mundo dos números, cálculos e fórmulas. O que transfigurou totalmente nesses últimos anos de ensino médio. Anos que tem se arrastado com uma lentidão, com uma perspicácia que parece cada vez mais distante O Dia da Libertação.

Nesses últimos anos descobri uma paixão já escancarada antes, só que imperceptível, com o mundo dos livros, da literatura e da prosa. E me descobri escrevendo crônicas, relatando a vida urbana com um ambiente frio e calculista. Onde as composições de Ludovico Einaudi se encaixassem perfeitamente com borboletas no estômago.

A adrenalina contida neste cenário tem sido cada vez mais palpável. São mais de 500 anos de correria, hormônios, emoções e questionamentos fluindo num ambiente só. E observando do ângulo onde estou, uma respiração profunda - e desconfortável devido à poluição - é o suficiente para perceber todas as expressões caóticas existentes nesse espaço.

Registrando tudo isso na fórmula silenciosa, sensível e detalhista, a vida urbana de repente não parece tão complexa. Ela é desmistificada tão rapidamente que as palavras simplesmente se entregam ao espaço em branco. E sua facilidade de perceção tambem nos envolve complexamente.

Paradoxais, são as conclusões sobre a vida urbana gravada em lentes de diretores de cinema como Anna Muylaert, Walter Salles entre outros. Cenas lentas, silenciosas, câmeras localizadas estrategicamente para exploração da cena.

E coisas simples e tranquilas como lençóis brancos, cafés e papéis se tornam protagonistas de vidas solitárias, agitadas, ansiosas, ofegantes. Protagonistas de um mundo de luzes, sons, imagens, e sendo parte de todo um contexto audiovisual que não cabe a mim a imensidão e o privilégio de registrá-lo por inteiro, mas cabe em detalhes.

domingo, 11 de dezembro de 2016

A bola de neve da falta de formação política

domingo, dezembro 11, 2016


É com muito pesar, que anunciamos aqui neste blog, que o sonho democrático, morre neste ano de 2016.
Era uma pessoa enferma desde 2014, quando loucos nas praças, loucos nas universidades, já anunciavam sua morte. E aconteceu como o previsto. Morreu, em 2016, o sonho democrático, com seus 30 anos de idade, novo, jovem.

E tudo começou, quando o governo do PT, no seu auge 2004~2010, abriu porta de entrada a alianças com partidos liberais. E claro, quando toda uma história de resistência na ditadura, foi para o espaço, quando o mesmo, não investiu na formação política do povo que o elegeu. É dado o primeiro sintoma de catástrofe.

E a mesma crítica, se faz também às entidades estudantis. Zero formação política na escola pública. Zero. A heterogeneidade das escolas públicas, revelam o quão frágil e insípido é o ensino público a nível municipal e estadual.
Nos meus rolês pelo país, vi que é desgraçada e notória a diferença entre escolas públicas sul e sudeste, e escolas públicas norte e nordeste. Essa diferença absurda, também revela a fragilidade do sistema de distribuição de verba para a educação, a corrupção dos responsáveis por cada estado (e por cada cidade, e por cada escola), e como os estudantes estão à mercê dos seus dirigentes, sem o mínimo filete de luz, para o possível questionamento: é normal isso?

E a classe trabalhadora? Com suas melhorias ao longo dos anos, mas ainda alienada pela mídia. Mídia que aproveitou este tropeço dos últimos 14 anos, que é a falta de formação política dos eleitores.

E assim, pouco a pouco, a morte estava declarada.A formação política nula para os trabalhadores que ascenderam de classe nesses 14 anos, e para os que estão ainda em situação pior, envolveu tudo numa bola de neve gigantesca que explodiu nas eleições de 2016. Um eleitor que tem que votar no menos pior, um eleitor que tem medo do novo (sim, estou falando das eleições Crivella e Freixo), e um eleitor manipulado pela mídia, que vota em tudo, menos no PT, ou partidos de esquerda, por simplesmente serem de esquerda, ou serem o PT. (Oi, Haddad. Alô alô, João Dória). .

E claro que se instaurou um furacão. Temos uma PEC, que trata saúde e educação como mercadoria (oi, liberalismo!), uma reforma da previdência que deixará a produção do país respirando por aparelhos, e uma reforma do ensino médio que vai instaurar um novo modelo de alienamento em massa, produzindo cada vez mais eleitores com medo do novo.

Um país que é necessário ocuparem escolas para manifestar pela educação, que não ouve opiniões de especialistas e estudantes, e que coloca o direito individual sobre o direito coletivo, é resultado de um gigantesco processo. Não adianta só colocar #ForaTemer no instagram. Temos que agir. E infelizmente, não teremos a opção de fazer isso dialogando, porque as mesmas propostas de diálogo foram recusadas. Está sendo necessária uma revolução, e como não existe revolução pacífica, temos que ter a decência de difundir a informação de forma contextual, ao contrário do que a mídia faz. Temos que pegar o espírito da Conjuração Baiana, que foi feita pelo povo, porque a informação política chegou a ele de forma clara.

Mas se é pra fazer revolução, que haja revolução organizada, revolução concreta de discurso único. Para não comprometer o movimento, e reviver o mesmo erro de Luís Inácio Lula da Silva, que em 2002 e Dilma Rousseff em 2010, quando chegaram ao poder, abriram as portas para comportar um parlamento de maioria contra seus ideais e esqueceram de dar informação a quem os colocou ali.

E assim, o sonho democrático, descansa no caos.


No mais, é isso, pessoal. Até o próximo post.

sábado, 1 de outubro de 2016

A bússola quebrada, o território desconhecido e o baile que a vida te deu

sábado, outubro 01, 2016

Por mais que tentamos ser estáveis, a vida é uma dançarina com dois pés esquerdos. Não há como viver sem altos e baixos e eu até tento, ter o controle das coisas, mas meu coração epilético está sem comprar seus remédios, seus gardenais, o que interfere no curso das coisas nessa selva de pedra solitária.

Fria, bonita, brilhante. A impressão que as mil histórias causavam era exatamente esta. Mas no final das contas era só uma capa por cima de um grande medo, uma grande insegurança. O barco afundou e meu desnorteio sofreu um naufrágio. De repente, quem tem razão na história? Quem será o famigerado que chegará para apaziguar as coisas? Quem será o escolhido entre tantas almas daquele necrotério sombrio que era o barco?

Após o naufrágio, todos percorrem um território desconhecido. Todos, digo, os sobreviventes. Mas eles estão isolados, estão retidos, solitários. Cada um foi parar num canto, e sem medo de pestanejar, saíram a desbravar o local. A insegurança chegara para se fazer presente e quebrar todas as bússolas. E com a bússola quebrada, quem se orienta após um naufrágio necrológico?

Um perfume é somente o que salvaria toda uma comitiva. A contradança no centro de tudo, se fazia cada vez mais presente. As peles quentes, o suor frio dos corações, embalavam tudo com uma certa angústia.

Um desespero este, que não interferiu no curso das violas que ali choram. Adoniran se faz presente, com seu relógio adiantado esperando seu trem. O samba bravo que ali ecoa, a revolta em todos os glóbulos do sangue caracteriza uma cena revolucionária. Mas o desespero soa mais forte, cortando os ventos, secando os prantos e dança tortuosamente, confundindo quem ali tenta se orientar.

E onde estará o findar desta dança desvairada? Dizem os sábios que a dança terá seus pontos de calma, seus segredos que revelam o encanto de uma paz a curto prazo. E se os maremotos vierem, o famigerado chegará para segurar todas as estruturas inóspitas em busca do perfume. O perfume de um baile emocionante, que deixou muitos enlouquecidos.


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