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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

ENEM: O filtro oficial da elitização da educação pública

sexta-feira, janeiro 20, 2017


Raios. Relâmpagos. Trovões.
Gritos e ranger de dentes.
Babado, gritaria e confusão.

Três enunciados que definem exatamente o dia 18 de janeiro de 2017, dia do resultado do ENEM, que mais uma vez segue a tradição anual: milhares de notas zero, milhares de estudantes de baixa renda com nota insuficiente para entrar na tão famigerada universidade pública, gente chorando, comendo as próprias unhas porque um dos maiores medos é vestir o uniforme de praças de alimentação ou morrer de fome. Ah e não menos importante dos ritos: estudantes que passaram a vida toda em escolas privadas, classe média alta, garantindo suas vagas nas universidades públicas.

Eu, enquanto estudante do ensino público, eu não tenho outra opção que não seja concluir que o Exame Nacional do Ensino Médio, o ENEM, seja um gigantesco filtro parte de um processo chamado elitização do ensino público de qualidade.

Uma das grandes e maiores lendas urbanas desse país, é "Universidade Pública para todos". Não é para todos, é para quem teve condições - que deveriam ser direitos -é para quem teve o luxo de estudar. Já falei mais sobre isso nesse texto aqui.

Falando assim, parece texto dos anos 70, mas isso é BEM atual. Com uma taxa altíssima de analfabetos, um índice gigantesco de evasão no ensino fundamental e médio, não é de se esperar menos, estudantes do ensino público reprovados num exame que teoricamente foi feito para eles. Porque o ENEM  com cotas raciais e cotas de baixa renda, foi a carta capital para o ingresso dos menos favorecidos na universidade. Uma pena, que isso não foi suficiente.

Para completar, nosso atual ministro da fazenda, Henrique Meirelles, diz, que as reformas em tramitação e as reformas já aprovadas são necessárias para colocar o Brasil nos trilhos novamente. E claro, que teria uma réplica. Mas não foi uma simples réplica, e sim, de uma diretora do FMI, Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde que arrematou: "Não sei por que as pessoas não escutaram (que a desigualdade é nociva), mas, certamente, os economistas se revoltaram e disseram que não era problema deles. Inclusive na minha própria instituição, que agora se converteu para aceitar a importância da desigualdade social e a necessidade de estudá-la e promover políticas em resposta a ela" - (leia mais sobre aqui)

Não é lindo, como as coisas fluem nessa novela brasiliense? Uma queima de arquivo na nossa cara, resultados das instituições federais indo pro espaço em 2016 - artimanha para aprovar a medonha Reforma do Ensino Médio - e uma República decaindo cada vez mais sempre que vaza um ou mais áudios na mídia brasileira.

Esse novo período político tem cada vez mais dado as costas para a educação e promovendo um marketing glorioso para seus recursos de batalha, como o ENEM, usado como instrumento de filtragem para formar cidadãos graduados. Como se já não bastasse turmas de 45 pessoas, formarem 4 alunos.

Arrematando como sempre, digo que educação deveria ser um direito universal, mas isso nos parece cada vez mais distante nesse caos ensurdecedor que ecoa nos subúrbios e nos corredores das escolas públicas brasileiras.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Sobre a vida urbana e seu aroma de adrenalina poluída

sexta-feira, janeiro 13, 2017


Confesso que ao longo da minha vida acadêmica eu tenha tido uma certa aptidão com o mundo dos números, cálculos e fórmulas. O que transfigurou totalmente nesses últimos anos de ensino médio. Anos que tem se arrastado com uma lentidão, com uma perspicácia que parece cada vez mais distante O Dia da Libertação.

Nesses últimos anos descobri uma paixão já escancarada antes, só que imperceptível, com o mundo dos livros, da literatura e da prosa. E me descobri escrevendo crônicas, relatando a vida urbana com um ambiente frio e calculista. Onde as composições de Ludovico Einaudi se encaixassem perfeitamente com borboletas no estômago.

A adrenalina contida neste cenário tem sido cada vez mais palpável. São mais de 500 anos de correria, hormônios, emoções e questionamentos fluindo num ambiente só. E observando do ângulo onde estou, uma respiração profunda - e desconfortável devido à poluição - é o suficiente para perceber todas as expressões caóticas existentes nesse espaço.

Registrando tudo isso na fórmula silenciosa, sensível e detalhista, a vida urbana de repente não parece tão complexa. Ela é desmistificada tão rapidamente que as palavras simplesmente se entregam ao espaço em branco. E sua facilidade de perceção tambem nos envolve complexamente.

Paradoxais, são as conclusões sobre a vida urbana gravada em lentes de diretores de cinema como Anna Muylaert, Walter Salles entre outros. Cenas lentas, silenciosas, câmeras localizadas estrategicamente para exploração da cena.

E coisas simples e tranquilas como lençóis brancos, cafés e papéis se tornam protagonistas de vidas solitárias, agitadas, ansiosas, ofegantes. Protagonistas de um mundo de luzes, sons, imagens, e sendo parte de todo um contexto audiovisual que não cabe a mim a imensidão e o privilégio de registrá-lo por inteiro, mas cabe em detalhes.

domingo, 11 de dezembro de 2016

A bola de neve da falta de formação política

domingo, dezembro 11, 2016


É com muito pesar, que anunciamos aqui neste blog, que o sonho democrático, morre neste ano de 2016.
Era uma pessoa enferma desde 2014, quando loucos nas praças, loucos nas universidades, já anunciavam sua morte. E aconteceu como o previsto. Morreu, em 2016, o sonho democrático, com seus 30 anos de idade, novo, jovem.

E tudo começou, quando o governo do PT, no seu auge 2004~2010, abriu porta de entrada a alianças com partidos liberais. E claro, quando toda uma história de resistência na ditadura, foi para o espaço, quando o mesmo, não investiu na formação política do povo que o elegeu. É dado o primeiro sintoma de catástrofe.

E a mesma crítica, se faz também às entidades estudantis. Zero formação política na escola pública. Zero. A heterogeneidade das escolas públicas, revelam o quão frágil e insípido é o ensino público a nível municipal e estadual.
Nos meus rolês pelo país, vi que é desgraçada e notória a diferença entre escolas públicas sul e sudeste, e escolas públicas norte e nordeste. Essa diferença absurda, também revela a fragilidade do sistema de distribuição de verba para a educação, a corrupção dos responsáveis por cada estado (e por cada cidade, e por cada escola), e como os estudantes estão à mercê dos seus dirigentes, sem o mínimo filete de luz, para o possível questionamento: é normal isso?

E a classe trabalhadora? Com suas melhorias ao longo dos anos, mas ainda alienada pela mídia. Mídia que aproveitou este tropeço dos últimos 14 anos, que é a falta de formação política dos eleitores.

E assim, pouco a pouco, a morte estava declarada.A formação política nula para os trabalhadores que ascenderam de classe nesses 14 anos, e para os que estão ainda em situação pior, envolveu tudo numa bola de neve gigantesca que explodiu nas eleições de 2016. Um eleitor que tem que votar no menos pior, um eleitor que tem medo do novo (sim, estou falando das eleições Crivella e Freixo), e um eleitor manipulado pela mídia, que vota em tudo, menos no PT, ou partidos de esquerda, por simplesmente serem de esquerda, ou serem o PT. (Oi, Haddad. Alô alô, João Dória). .

E claro que se instaurou um furacão. Temos uma PEC, que trata saúde e educação como mercadoria (oi, liberalismo!), uma reforma da previdência que deixará a produção do país respirando por aparelhos, e uma reforma do ensino médio que vai instaurar um novo modelo de alienamento em massa, produzindo cada vez mais eleitores com medo do novo.

Um país que é necessário ocuparem escolas para manifestar pela educação, que não ouve opiniões de especialistas e estudantes, e que coloca o direito individual sobre o direito coletivo, é resultado de um gigantesco processo. Não adianta só colocar #ForaTemer no instagram. Temos que agir. E infelizmente, não teremos a opção de fazer isso dialogando, porque as mesmas propostas de diálogo foram recusadas. Está sendo necessária uma revolução, e como não existe revolução pacífica, temos que ter a decência de difundir a informação de forma contextual, ao contrário do que a mídia faz. Temos que pegar o espírito da Conjuração Baiana, que foi feita pelo povo, porque a informação política chegou a ele de forma clara.

Mas se é pra fazer revolução, que haja revolução organizada, revolução concreta de discurso único. Para não comprometer o movimento, e reviver o mesmo erro de Luís Inácio Lula da Silva, que em 2002 e Dilma Rousseff em 2010, quando chegaram ao poder, abriram as portas para comportar um parlamento de maioria contra seus ideais e esqueceram de dar informação a quem os colocou ali.

E assim, o sonho democrático, descansa no caos.


No mais, é isso, pessoal. Até o próximo post.

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