sábado, 16 de abril de 2016

Necessitamos falar sobre: A contribuição da mídia na cultura do gaslighting

Gaslighting na mídia
Logo da ISTOÉ e fotografia de Dilma Rousseff: Reprodução 


Primeiro, vamos à fonte do ouro. [Vai ser textão, mas um textão escrito com tanta dedicação, que vale a pena ler.] 

Gaslighting: (segundo a Wikipédia), uma forma de abuso psicológico no qual informações são distorcidas, seletivamente omitidas para favorecer o abusador ou simplesmente inventadas com a intenção de fazer a vítima duvidar de sua própria memória, percepção e sanidade.

O termo surgiu do filme Gaslight (1944) quando um homem tenta enganar a esposa de que não alterou as luzes alimentadas por gás da casa, enquanto procurava um tesouro escondido no sótão. E para tentar convencê-la, utiliza os mais variados métodos, inclusive, alterando pequenas coisas no ambiente, fazendo sua esposa se questionar de sua própria consciência porque tem a mais límpida certeza de que o nível de iluminação na casa foi alterado. 

Traduzindo isso para a situação cotidiana feminina: 

1-Quando um namorado seu te chama de louca, e num "passe de mágica" você se sente errada por algo que você defendeu e se achava plenamente certa até ele acusar sua loucura, isso é gaslighting.

2- Quando você vive um relacionamento abusivo, e não se dá conta, porque até aquele momento ele é e sempre será o amor da sua vida, e quando você ousa questionar algo que te incomoda, ele começa a proferir a seguintes frases "amor, não exagera. Isso é paranoia sua, você tá ficando louca, nós estamos tão bem..." - ISSO É GASLIGHTING! 

Resumo: O estereótipo da mulher histérica e da mulher louca, é gaslighting.

Dados alguns exemplos cotidianos, prossigamos.

O gaslighting na mídia tem sido algo tão comum e tão corriqueiro que passa despercebido a quem não faz uma análise crítica do que consome. Ou seja, analisar bem o tipo de informação que está recebendo. 

Vamos tomar como exemplo, essa capa da revista ISTOÉ: 





"AS EXPLOSÕES NERVOSAS DA PRESIDENTE"
"e perde (também) as condições emocionais de conduzir o país"
ISSO É GASLIGHTING! (e como diria um dos comentários do post desse vídeo no facebook: "aqui jaz o jornalismo")

Realmente desconstruíram toda a imagem da presidenta para uma louca, doida varrida que quebra móveis e grita com subordinados. A QUE PONTO A MÍDIA TENDENCIOSA CHEGA!                                                                                                                                                                                                         

Gaslighting é uma cultura tão naturalizada, e a grande mídia faz questão de impulsionar isso. 

E não acontece só com o Brasil, se pesquisarmos direitinho a Hillary Clinton, candidata a presidência dos EUA tem sido alvo preferido da mídia americana; A chanceler da Alemanha Angela Merkel, já foi retratada como um ciborgue em uma capa de revista; Christina Kirchner ex-presidente da Argentina, era hipersexualizada e retratada na mídia como "louca e vaidosa"; Michelle Obama é também um alvo em potencial nos Estados Unidos; 

Veja mais sobre essas capas nesse post do Think Olga: 



Não é mimimi. É sexismo. Quer uma prova? 


Eduardo Cunha tem histórico de corrupção, contas na Suíça e afins...

Até agora, eu, Gabriele, não vi ninguém falar de Eduardo Cunha como se ele fosse louco, como se ele estivesse perdendo a linha na câmara quando acusaram ele.  

Sérgio Moro tá brincando de esconde-mostra mostra-esconde, e não tô vendo ninguém falar da sanidade dele, enquanto ele joga na mídia áudios que não falam nada a se aproveitar sobre Dilma e Lula e esconde uma lista de corrupção na Odebrecht, onde não consta os nomes de Dilma Rousseff e Lula. 

Vale lembrar que não sou petista, só gosto do que é certo. 

Então acho que está claro que não é só contra Dilma essas acusações, ou só contra Hillary, contra Angela ou contra Christina. É contra a condição feminina. É contra o fato de ter uma mulher à frente de um país. É contra as mulheres. 

E como essas revistas circulam feito água, natural que a cultura do gaslighting seja sempre fortalecida e incentivada a nível nacional/mundial. 

A mídia elitista branca que criou o estereótipo da mulher negra irritada (o que também é gaslighting), é a mesma mídia que está cultivando uma geração machista fazendo a propagação do gaslighting ficar cada vez maior. 

Ou seja, vamos combater isso para 'desnaturalizar' algo tão nocivo e deturpante à condição feminina, porque isso não ofende só elas, como a todas nós mulheres. 

Não vamos nos calar, não vamos deixar passar, estamos juntas e não somos histéricas e muito menos loucas! Vamos em luta!


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente aqui! - Spams são excluídos pela Gabi!

Curta no facebook

Siga o blog por e-mail!